3 de Abril de 2007


Três de Abril, dia da grande viagem! Tocam os despertadores das peregrinas por volta das 7 da manhã. Há Missa às 8h30 no Rampa Clube, ponto de encontro para a partida para Sevilha.

Após a Missa, procedemos à complicada operação de carregar a bagagem e encaixar malas e malões, sacos e saquetas nos porta-bagagens das carrinhas. As peregrinas dividiram-se por duas carrinhas. Na espaçosa carrinha 1, lideradas pela grande motorista requisitada para o serviço, São Valente, iam as seguintes passageiras: a co-pilota Luisinha Fontes, DJ Joana Nestor, Teresinha Damásio, Manana, Madalena Torres, Joana Faria, Inês Viterbo e Clarinha Flores. Na Sapa Berde, ou seja, carrinha 2, guiada por Lena Carrelhas, um ás ao volante, e com a co-pilota Maria de La Fuente, embarcaram Kika Manarte, Ana Damásio, Leonor Melo, Catarina Damásio, Rita Mesquita e Teresinha Flores.

Quando finalmente tudo estava a postos para a partida, as chaves de ambas as carrinhas volatizaram-se! Contudo, rapidamente as “cabeças de vento” lembraram-se do paradeiro das ditas cujas…

Foi uma viagem bastante enriquecedora a vários níveis: cultural, artístico, musical…, enfim, muita cultura geral que nos proporcionou umas 10 horas de viagem muito divertidas e hilariantes!

Finalmente…Olé!!! Chegámos à la España!

Depois de várias voltas em círculo à volta do Clube Palmera (o nosso alojamento), chegou a melhor parte: descarregar as malas! Com o auxílio insubstituível do Clube Darca (de Lisboa), que já tinha chegado entretanto, arrumámos tudo num instante, através do fantástico truque da corrente (método de descarregamento de malas). Do Darca vieram: São Marrocos, uma excelente monitora, Margarida Alvim, Catarina Coutinho, Teresinha Gala, Leonor Cruz Fernandes e também a incrível Gorda (nome da carrinha Darca). Seguiu-se um jantar “tertuliano” animadíssimo, com as apresentações das peregrinas e uma pequena demonstração da futura concorrente ao “Aqui há Talento”, Clarinha Flores, com o poderoso, potente, maravilhoso, ensurdecedor e sensacional alarme (vocal)!

Depois da purificação aquática (banhos), fez-se “chiu!” e fomos para os nossos quentinhos sacos-cama. Adormecemos então, embaladas pela “sinfonia” provocada pelos maravilhosos colchões insufláveis do Clube Palmera. Buenas noches peregrinas!


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4 de Abril de 2007


Hoje virámo-nos para o turismo.

Acordámos às 8h00 e depois da Meditação e Missa com o Sr. Padre Vasco Gil (antigo capelão do Rampa) e a seguir aos encargos, partimos em direcção a Córdova. 170 Km depois, estacionámos três furgonetes e,junto ao rio Guadalquivir, almoçámos o essencial do nosso farnel.

Percorremos uma parte da marginal para chegar à mesquita-catedral da cidade, um monumento histórico, arquitectónico e multicultural do mais alto nível!

As raízes deste edifício ancestral remontam a uma pequena capela do ano 773 dedicada a S. Vicente. Mais tarde, aquando da conquista do sul da Península Ibérica pelos mouros, estes construíram uma mesquita sobre a capela cristã. Em 1492, expulsos os árabes da Península, os cristãos construíram uma catedral no interior da mesquita. Deste modo, ainda hoje, as marcas arquitectónicas deste povo pioneiro estão fortemente presentes e são realmente fabulosas. Esta concentração de duas culturas num só monumento religioso é realmente interessante… e polémica.
A Inês V. efectivou-se como uma guia sabedora e competente a um pequeno grupo de interessadas. A Luísa F. e a Joana F. andavam mais preocupadas a fazer uma boa reportagem fotográfica e a Clarinha, uma reportagem cinematográfica da mesquita-Catedral.

A Teresinha G., Joana N. e Clarinha F. resolveram experimentar um modo mais descansativo e confortável de visitar o monumento: a cadeira de rodas, ao dispor dos turistas mais preguiçosos (ou divertidos). Uma destas meninas, não denominada, fez umas boas derrapagens nos desníveis da catedral, auxiliada pela Rita Mesquita e pela Teresinha G.

Seguimos em direcção à sinagoga, um templo judeu relativamente (!) mais pequeno que a mesquita – catedral, mas bonito também.

Los Alceres Reales foram a última maravilha que visitámos. Começámos pelo exterior e começámos bem: o jardim, verdadeira pérola de Córdova, maravilhou-nos! Lagos e repuxos exuberantes, árvores frondosas e verdejantes, arbustos viçosos e das mais variadas formas. No arbusto cilíndrico, bailámos e dançámos como índias à volta da fogueira. Visitámos o interior (magnífico!) e … furgonetes!

No regresso ao Palmera, assistimos a um show gratuito de violência: três indivíduos envolveram-se numa cena de pancadaria, exactamente em frente à carrinha da São Valente. Depois de umas fortes buzinadelas das carrinhas e dos carros em geral, tudo se acalmou e seguimos em frente. Esperava-nos no Clube a recepção calorosa da Guida Lousada, que tinha chegado entretanto e já tinha começado a pôr a mesa (tão querida!). Após um jantar animado, com as gargalhadas inconfundíveis da Kika M. e onde averiguamos as alturas das mais altas e baixas do convívio (Joana N. e Ana D. respectivamente), seguiu-se uma tertúlia alegre com cantorias e solos da Rita M. e Inês V. e também coreografias “manuais” e “braçais” improvisadas por todas. Terminada a tertúlia, seguiram-se banhos e… dormir! Hasta mañana niñas!

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5 de Abril de 2007


Hoje é um grande dia: Quinta-feira Santa! Acordámos às 8h00 mais uma vez e arranjámo-nos com especial cuidado, como manda a tradição em Sevilha.

Todas “pipis”, e a seguir à meditação, saímos com o objectivo de visitar os andores das diferentes confrarias.
Iniciámos a nossa visita com o andor de Nossa Senhora da Macarena. Este foi bastante difícil de ver devido à grande fila formada por uma multidão que, tal como nós, ansiava contemplar de perto La Macarena. Como não conseguimos entrar, tirámos fotografias e filmámos Nossa Senhora através da entrada.

Tirámos uma fotografia de grupo com algumas sevilhanas muy guapas, trajadas a rigor com mantilla e peineta.

Entretanto, chegou a hora da fama! Fomos entrevistadas por um jornalista espanhol do jornal periódico La Razión! Foi muito engraçado, respondíamos todas em coro, com a ajuda fundamental da Maria de La Fuente, a nossa intérprete.

Nuestro Señor Del Gran Poder foi o andor que visitámos em seguida. Aí foi-nos possível furar por entre a multidão e pudemos observar os andores com bastante mais pormenor que o anterior. Estes eram realmente enormes e fabulosos!

Entretanto chegou a hora do almoço. Almoçámos de farnel num parque enorme e frondoso, o Parque Maria Luísa. Durante esta refeição, demos muitas tampas à Guida, para fazer cadeiras de rodas para os seus alunos. A Guida tinha uma forte concorrente, a Leonor C.F. do Darca.
A chuva esperou até findarmos o almoço. Corremos até às carrinhas, para nos abrigarmos, e esperámos que a chuva parasse ou abrandasse. A chuva diminuiu um pouco e por isso seguimos, a pé, para a igreja de S. José, onde iríamos assistir às cerimónias de Quinta‑feira Santa. Depois de muitas voltas (à chuva, de carapuços enfiados e encharcadas até aos ossos) e informações prestadas por vários espanhóis inquiridos, conseguimos (finalmente!) encontrar a dita igreja. Digamos que estávamos num estado engraçado (todas molhadas). A Maria L.F. constatou que o seu chapéu-de-chuva impermeável tinha deixado de o ser, porque até por dentro estava molhado.

Foi uma cerimónia muito bonita, com transladação do Santíssimo para o Monumento, um local mais lateral, enfeitado e arranjado para o efeito.
Terminada a Missa, regressámos a casa. No caminho para as carrinhas, aproveitámos para comprar recuerdos e regalos e a prenda para a Teresinha D. que fazia anos no dia seguinte. Chegámos ao clube e fomos jantar. Durante o jantar fomos agradavelmente surpreendidas com uma proposta aliciante: sair à noite para ver uma das procissões que passaria dali a pouco. Apesar de cansadas e com a consciência que no dia seguinte acordaríamos às cinco da manhã para ver outras procissões, alinhamos todas com entusiasmo pois se na manhã seguinte chovesse, os passos não sairiam das suas casas e portanto não veríamos nenhuma procissão.

Valeu realmente a pena a saída à noite. Foi uma procissão bonita e marcante com muitos nazarenos e penitentes e os andores carregados pelos heróicos costaleros. Os nazarenos usam uma espécie de carapuço pontiagudo que cobre toda a cara e tem apenas dois buracos para os olhos e levam um círio (vela grande que levam acesa). Alguns vão descalços. Os penitentes usam também esse carapuço mas a extremidade está caída. Carregam uma cruz de madeira e alguns caminham descalços também. Os costaleros usam um género de touca de pano, com uma parte mais grossa no pescoço para amortecer, de algum modo, o peso que carregam.

Regressámos depois a casa e, no caminho e passada a meia-noite, cantámos os parabéns à Teresinha D. que fez 16 anos e que ficou encantada com a nossa “afinação” e euforia! A seguir tentámos acalmar e fomos dormir pois no dia seguinte iríamos madrugar…

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6 de Abril de 2007


Alvorada às 5h30 da manhã. Hoje vamos viver a célebre Madrugá de Sevilha. Apesar do sono, todas nos levantámos rapidamente pois às 6h teríamos que estar a sair. E assim foi.

Às 6h e tal da manhã lá íamos, frenéticas, correndo pelas ruas para apanhar o grande passo do Grand Poder. Fura que fura e conseguimos ficar num sítio com boa visibilidade. Aqui vimos o andor de Nossa Senhora. Este era espectacular e grandioso! Encontrava-se rodeado de flores brancas e velas, ornamentado por talha dourada, prata, ouro e pedras preciosas (fabuloso!). Pesava toneladas, sendo levado pelos valientes costaleros (vão cerca de 50 homens debaixo de cada andor!). Neste maravilhoso andor Nossa Senhora vinha acompanhada de S. João. Prosseguimos até à igreja do Grand Poder para assistir à entrada em casa do passo de Cristo levando a Cruz. Foi aqui que ouvimos pela primeira vez as saetas impressionantes cantadas por alguma pessoa inspirada, em honra da figura que vai representada no andor. Logo a seguir fomos ver o magnífico andor do Calvário também já a terminar a sua travessia pela cidade. Representava Jesus pregado na Cruz.

È impressionante assistir a todas estas procissões, não só por aquilo que representam, mas também porque a assistência se mantém em silêncio contemplando com devoção a procissão que passa.

Por esta altura começa a clarear o dia. Seguimos para a procissão dos ciganos. Esta era bastante diferente. Vinha acompanhada de uma banda de música, tornando o ambiente mais ligeiro e menos silencioso. Todavia, os andores eram igualmente impressionantes e grandiosos.

Finalmente, e como manda a tradição, fomos comer os fantásticos, incríveis, irresistíveis e deliciosos churros com chocolate! Uma das nossas grandes motoristas, a São V., foi averiguar onde poderíamos comprar os famosos churros. Chegou a uma barraquinha e perguntou “Tienes chócóláté con churros? Nó, pó nó?” E, assim andando de barraquinha em barraquinha, lá se encontraram os desejados churros. No caminho, assistimos à entrada do andor de Nossa Senhora da Triana no seu bairro. “Dançando” (valentes costaleros!), despedia-se da cidade.

Depois deste andor (e do “carregamento de baterias” com os deliciosos chocolates com churro) fomos ver o passo do Cristo da Triana. Foi este o andor que a maioria de nós gostou mais. O andor representava Jesus a levar a Cruz, guiado por um centurião romano a cavalo. Foi espantoso! O andor “dançava” para trás e para a frente, para a esquerda e para a direita, ao som da música fabulosa da banda que o acompanhava, dando a ideia de que as figuras do andor se moviam realmente! De vez em quando o andor para e ouve-se: “Hasta el cielo!”, grito de alento para os costaleros que, então, levantam e atiram o andor ao ar, caindo depois este sobre os ombros destes homens verdadeiramente valentes! Foi realmente impressionante! À nossa volta observam-se expressões comovidas e olhos lacrimejantes. Algumas pessoas choram de verdade. As cenas da Paixão do Senhor representadas nos andores, a figura de Nossa Senhora das Dores, a penitência dos nazarenos, penitentes e costaleros, impressionam e emocionam a assistência. E nós não somos excepção.

Prosseguimos para a última procissão do nosso dia: a famosa procissão da Macarena. Apanhámos o andor a chegar a casa. O passo é muito bonito: Nossa Senhora encontra-se rodeada de flores brancas das mais variadas espécies e está trajada com um manto enorme, ornamentado a tons de dourado. Aqui e ali ouve-se gritar: “Macareeena!” e a multidão que assiste responde: “Guapa!” É quase palpável a devoção que estas pessoas têm a Nossa Senhora.

A Macarena segue dançando ao som da sinfonia imponente da banda. À semelhança das procissões anteriores, também nesta se vê muita gente comovida. Ouve-se uma saeta cantada por alguma alma devota. Quase em casa, de uma varanda próxima, cai uma chuva de flores sobre o passo, e la Macarena entra em casa dançando e sob uma sentida salva de palmas da assistência. Foi uma procissão lindíssima!
Depois desta longa manhã, regressámos ao clube para almoçar. A nossa Teresinha D. faz anos, por isso, organizou-se um almoço-festa de aniversário animado. Cantámos mais uma vez os parabéns e, à falta de velas, tentou dar-se a função destas a um fósforo, espetado com toda a dignidade num gelado grande e delicioso. Findo o almoço, a festa continua: um sketch do Gato Fedorento dramatizado pelas actrizes talentosas Guida L. e Rita M. e a encenação de um pequeno excerto muito engraçado do filme “Pátio das Cantigas”, com duas protagonistas que muito divertiram o público: a Luísa F. e a Rita M. A Teresinha D. gostou muito e até se emocionou quando recebeu como prenda um colar giríssimo e um postal assinado por todas.

Seguiu-se a preparação dos farnéis para o jantar que iria ser de piquenique. Algumas das “cozinheiras”, como a Catarina D., a Guida e a Ana D., fardaram-se a rigor para a ocasião usando uns aventais cheios de folhos, muito originais, disponíveis na cozinha do clube.

Depois saímos para assistir às cerimónias de Sexta-feira Santa. Nesta cerimónia procede-se à adoração da Cruz, há distribuição da comunhão mas não há consagração.

Entretanto chegou a hora de jantar. Jantámos no parque Maria Luísa. Mais uma vez se deu a disputa de tampas entre a Guida e a Leonor C.F. Mas realmente penso que foi a Guida que recebeu mais tampas. Como observou a São V., passámos o convívio a dar tampas à Guida!

Depois do jantar seguiu-se uma tertúlia animada com cantoria e danças. Tentámos dançar o “Em cadeia…” com beijinhos e abraços como manda a letra mas, na verdade, não fomos muito bem sucedidas. A Teresinha D. fez sucesso com a sua famosa (e exasperante!) anedota da aranha.

Após este serão tão divertido, voltámos a casa. O dia foi inesquecível mas longo (perto de 19h!) e os banhos e os sacos-cama chamam por nós!

Boa noite muchachas!   

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7 de Abril de 2007


E eis-nos chegadas ao último dia do convívio (como passou rápido!).

Acordámos às 8h como o habitual e, depois do pequeno-almoço, começámos com as arrumações. “Empacotadas” as coisas pessoais, passámos às limpezas e arrumações mais gerais: varrer e limpar o “quarto” (ginásio), os quartos de banho (desentupir lavatório…), a cozinha, pôr o lixo na rua. Depois de tudo limpo, varrido, lavado e arejado, despedimo-nos das simpáticas monitoras “sevilhenses” e do Darca, que seguia para Lisboa. Por fim, instalámo-nos nas respectivas carrinhas e partimos rumo a Portugal.

A viagem de regresso durou 10h, o que nos permitiu fazer tudo e mais alguma coisa: ouvir música dos CDs (o da Leonor S. deve ter riscado de tanto ser ouvido), ouvir as espanholadas do rádio, cantar, conversar, tagarelar, rezar, testar os nossos conhecimentos com o famoso Quiz, apreciar a paisagem fantástica por onde passámos, contar peripécias do convívio. Parámos algumas vezes para almoçar, esticar as pernas e para outras necessidades indispensáveis. Numa destas paragens, as passageiras da carrinha 2 puderam constatar a espaçosa “sala de estar” da carrinha 1.A Manana, a Madalena, Teresinha D. e a Clarinha descobriram que os bancos do meio se viravam para trás formando a dita “sala de convívio”.  

Finalmente, cidade Invicta à vista!

Toca a descarregar toda a bagagem e… despedidas, desejos de boa Páscoa, promessas de reencontros breves. Apesar do cansaço, todas estávamos contentes e animadas. Realmente, a semana que vivemos não admite outro tipo de sentimentos! Pudemos assistir aos momentos mais solenes da Semana Santa em Sevilha e acompanhar mais de perto a Paixão do Senhor, além do convívio entre todas que foi espectacular!

Foi uma semana memorável sob muitos pontos de vista, que já deixa saudades!

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