Alvorada às 5h30 da manhã. Hoje vamos viver a célebre Madrugá de Sevilha. Apesar do sono, todas nos levantámos rapidamente pois às 6h teríamos que estar a sair. E assim foi.
Às 6h e tal da manhã lá íamos, frenéticas, correndo pelas ruas para apanhar o grande passo do Grand Poder. Fura que fura e conseguimos ficar num sítio com boa visibilidade. Aqui vimos o andor de Nossa Senhora. Este era espectacular e grandioso! Encontrava-se rodeado de flores brancas e velas, ornamentado por talha dourada, prata, ouro e pedras preciosas (fabuloso!). Pesava toneladas, sendo levado pelos valientes costaleros (vão cerca de 50 homens debaixo de cada andor!). Neste maravilhoso andor Nossa Senhora vinha acompanhada de S. João. Prosseguimos até à igreja do Grand Poder para assistir à entrada em casa do passo de Cristo levando a Cruz. Foi aqui que ouvimos pela primeira vez as saetas impressionantes cantadas por alguma pessoa inspirada, em honra da figura que vai representada no andor. Logo a seguir fomos ver o magnífico andor do Calvário também já a terminar a sua travessia pela cidade. Representava Jesus pregado na Cruz.
È impressionante assistir a todas estas procissões, não só por aquilo que representam, mas também porque a assistência se mantém em silêncio contemplando com devoção a procissão que passa.
Por esta altura começa a clarear o dia. Seguimos para a procissão dos ciganos. Esta era bastante diferente. Vinha acompanhada de uma banda de música, tornando o ambiente mais ligeiro e menos silencioso. Todavia, os andores eram igualmente impressionantes e grandiosos.
Finalmente, e como manda a tradição, fomos comer os fantásticos, incríveis, irresistíveis e deliciosos churros com chocolate! Uma das nossas grandes motoristas, a São V., foi averiguar onde poderíamos comprar os famosos churros. Chegou a uma barraquinha e perguntou “Tienes chócóláté con churros? Nó, pó nó?” E, assim andando de barraquinha em barraquinha, lá se encontraram os desejados churros. No caminho, assistimos à entrada do andor de Nossa Senhora da Triana no seu bairro. “Dançando” (valentes costaleros!), despedia-se da cidade.
Depois deste andor (e do “carregamento de baterias” com os deliciosos chocolates com churro) fomos ver o passo do Cristo da Triana. Foi este o andor que a maioria de nós gostou mais. O andor representava Jesus a levar a Cruz, guiado por um centurião romano a cavalo. Foi espantoso! O andor “dançava” para trás e para a frente, para a esquerda e para a direita, ao som da música fabulosa da banda que o acompanhava, dando a ideia de que as figuras do andor se moviam realmente! De vez em quando o andor para e ouve-se: “Hasta el cielo!”, grito de alento para os costaleros que, então, levantam e atiram o andor ao ar, caindo depois este sobre os ombros destes homens verdadeiramente valentes! Foi realmente impressionante! À nossa volta observam-se expressões comovidas e olhos lacrimejantes. Algumas pessoas choram de verdade. As cenas da Paixão do Senhor representadas nos andores, a figura de Nossa Senhora das Dores, a penitência dos nazarenos, penitentes e costaleros, impressionam e emocionam a assistência. E nós não somos excepção.
Prosseguimos para a última procissão do nosso dia: a famosa procissão da Macarena. Apanhámos o andor a chegar a casa. O passo é muito bonito: Nossa Senhora encontra-se rodeada de flores brancas das mais variadas espécies e está trajada com um manto enorme, ornamentado a tons de dourado. Aqui e ali ouve-se gritar: “Macareeena!” e a multidão que assiste responde: “Guapa!” É quase palpável a devoção que estas pessoas têm a Nossa Senhora.
A Macarena segue dançando ao som da sinfonia imponente da banda. À semelhança das procissões anteriores, também nesta se vê muita gente comovida. Ouve-se uma saeta cantada por alguma alma devota. Quase em casa, de uma varanda próxima, cai uma chuva de flores sobre o passo, e la Macarena entra em casa dançando e sob uma sentida salva de palmas da assistência. Foi uma procissão lindíssima!
Depois desta longa manhã, regressámos ao clube para almoçar. A nossa Teresinha D. faz anos, por isso, organizou-se um almoço-festa de aniversário animado. Cantámos mais uma vez os parabéns e, à falta de velas, tentou dar-se a função destas a um fósforo, espetado com toda a dignidade num gelado grande e delicioso. Findo o almoço, a festa continua: um sketch do Gato Fedorento dramatizado pelas actrizes talentosas Guida L. e Rita M. e a encenação de um pequeno excerto muito engraçado do filme “Pátio das Cantigas”, com duas protagonistas que muito divertiram o público: a Luísa F. e a Rita M. A Teresinha D. gostou muito e até se emocionou quando recebeu como prenda um colar giríssimo e um postal assinado por todas.
Seguiu-se a preparação dos farnéis para o jantar que iria ser de piquenique. Algumas das “cozinheiras”, como a Catarina D., a Guida e a Ana D., fardaram-se a rigor para a ocasião usando uns aventais cheios de folhos, muito originais, disponíveis na cozinha do clube.
Depois saímos para assistir às cerimónias de Sexta-feira Santa. Nesta cerimónia procede-se à adoração da Cruz, há distribuição da comunhão mas não há consagração.
Entretanto chegou a hora de jantar. Jantámos no parque Maria Luísa. Mais uma vez se deu a disputa de tampas entre a Guida e a Leonor C.F. Mas realmente penso que foi a Guida que recebeu mais tampas. Como observou a São V., passámos o convívio a dar tampas à Guida!
Depois do jantar seguiu-se uma tertúlia animada com cantoria e danças. Tentámos dançar o “Em cadeia…” com beijinhos e abraços como manda a letra mas, na verdade, não fomos muito bem sucedidas. A Teresinha D. fez sucesso com a sua famosa (e exasperante!) anedota da aranha.
Após este serão tão divertido, voltámos a casa. O dia foi inesquecível mas longo (perto de 19h!) e os banhos e os sacos-cama chamam por nós!
Boa noite muchachas!
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